quinta-feira, 28 de junho de 2018

A insana firme marcha para a tragédia neomalthusiana continua

A partir de National Geographic Brasil 06.2018

1,71 Terra

A Rede Global da Pegada Ecológica calcula o dia, a cada ano, em que a demanda humana sobre a natureza - comida, madeira e absorção de CO2 - excede o que a Terra é capaz de regenerar em um ano. Em 2017 , o “dia da sobrecarga” foi mais precoce já registrado, e usamos 1,71 planeta em recursos.


Pegada Ecológica Global

Estudos mostram que desde o final dos anos 70 a demanda da população mundial por recursos naturais é maior do que a capacidade do planeta em renová-los. - www.wwf.org.br



Ano
"Terra"
Dia da Sobrecarga
1971
1,03
20/12
1981
1,16
11/11
1991
1,29
10/10
2001
1,38
22/9
2011
1,69
4/8
2017
1,71
2/8


Gráfico do comportamento da “Terra” necessária:

Gráfico do comportamento do “dia da sobrecarga”:


Recomendados



Pegada Global: Atualmente não existe uma forma fixa de medir as pegadas globais, e qualquer tentativa de descrever a capacidade de um ecossistema em um único número é uma simplificação maciça de milhares de recursos renováveis essenciais, que não são usados ou reabastecidos na mesma proporção. No entanto, tem havido alguma convergência de métricas e padrões desde 2006. - en.wikipedia.org - Ecological footprint

quinta-feira, 29 de março de 2018

Notas neomalthusianas




A teoria malthusiana é um tema recorrente em muitos foros de ciências sociais. John Maynard Keynes, em Economic Consequences of the Peace (Conseqüências Econômicas da Paz), abre sua polêmica com um retrato malthusiano da economia política da Europa como instável devido à pressão da população malthusiana na oferta de alimentos. Muitos modelos de esgotamento de recursos e escassez são malthusianos em caráter: p. ex, a taxa de consumo de energia vai superar a capacidade de encontrar e produzir novas fontes de energia, e assim levar a uma crise.

Na França, termos como "politique malthusienne" ("política malthusiana") referem-se a estratégias de controle populacional. O conceito de restrição populacional associado a Malthus transformou-se, na teoria política econômica posterior, na noção de restrição da produção. No sentido francês, uma "economia malthusiana" é aquela em que o protecionismo e a formação de cartéis não são apenas tolerados, mas encorajados.

Vladimir Lenin, o líder do Partido Bolchevique e principal arquiteto da União Soviética, era um crítico da teoria neomalthusiana (mas não do controle da natalidade e do aborto em geral).

"Neomalthusianismo" é uma preocupação que a superpopulação pode aumentar o esgotamento de recursos ou a degradação ambiental a um grau que não é sustentável, com o potencial de colapso ecológico ou outros perigos. O termo também é frequentemente relacionado com eugenia.

O rápido aumento da população global do século passado exemplifica os padrões populacionais previstos por Malthus; parece também descrever a dinâmica sociodemográfica de sociedades pré-industriais complexas. Essas descobertas são a base para os modelos matemáticos modernos neomalthusianos da dinâmica histórica de longo prazo.

Houve um ressurgimento geral "neomalthusiano" nas décadas de 1950, 1960 e 1970, após a publicação de dois livros influentes em 1948 (Our Plundered Planet, “Nosso Planeta Saqueado”, de Fairfield Osborn, e Road to Survival, “Caminho para a Sobrevivência”, de William Vogt). Durante esse tempo, a população do mundo aumentou dramaticamente. Muitos movimentos ambientais começaram a soar o alarme em relação aos perigos potenciais do crescimento da população. O Clube de Roma publicou um livro intitulado The Limits to Growth, “Os Limites do Crescimento”, em 1972. O relatório e a organização logo se tornaram centrais para o renascimento neomalthusiano. Paul R. Ehrlich tem sido um dos mais proeminentes neomalthusianos desde a publicação de The Population Bomb, “A Bomba da População”, em 1968. O economista ecológico líder Herman Daly reconheceu a influência de Malthus em seu conceito de uma economia de estado estável. Outros malthusianos proeminentes incluem os irmãos Paddock, autores de “Famine 1975! America's Decision: Who Will Survive?” (“Fome 1975! A decisão dos EUA: quem irá sobreviver?”).

O renascimento neomalthusiano atraiu críticas de escritores que alegam que os alertas malthusianos foram exagerados ou prematuros porque a revolução verde trouxe aumentos substanciais na produção de alimentos e será capaz de acompanhar o crescimento contínuo da população. Julian Simon, um cornucopiano, escreveu que ao contrário da teoria neomalthusiana, a "capacidade de carga" da Terra é essencialmente ilimitada. Respondendo a Simon, Al Bartlett reitera o potencial do crescimento populacional como uma curva exponencial (ou expressa por Malthus, "geométrica") para superar tanto os recursos naturais quanto a engenhosidade humana. Bartlett escreve e dá palestras particularmente sobre fontes de energia, e descreve a "incapacidade de entender a função exponencial" como a "maior deficiência da raça humana".

Os neomalthusianos proeminentes, como Paul Ehrlich, sustentam que, em última análise, o crescimento populacional na Terra ainda é muito alto, e acabará por levar a uma grave crise. A crise mundial dos preços dos alimentos em 2007-2008 inspirou mais argumentos malthusianos sobre as perspectivas para o suprimento global de alimentos.


Nota

Um cornucopiano é um futurista que acredita que o progresso contínuo e a provisão de itens materiais para a humanidade podem ser alcançados por avanços contínuos na tecnologia. Fundamentalmente eles acreditam que há matéria e energia suficientes na Terra para prover a população do mundo.


Leituras recomendadas

Neo Malthusianism - ravenseniors.wikispaces.com
Nos nossos arquivos [ Ravensenior - Neo Malthusianism ]

Bhavishya Kumar; Neo-Malthusian Theory of Population; 28 Sep 17 - www.handoutlife.com


Extras

Tristes notas gramenses

Marcos de Moura e Souza; Mineroduto da Anglo vaza e minério atinge rio; 13/03/2018 - www.valor.com.br

“Uma tubulação do mineroduto Minas-Rio, da mineradora Anglo American, se rompeu ontem no município de Santo Antônio do Grama (MG), espalhando 300 toneladas de uma mistura de minério de ferro e água pelo ribeirão que abastece a cidade. A empresa disse que o material não é tóxico.”

Após vazamento, mineroduto da Anglo American volta a operar em Santo Antônio do Grama

Rompimento da tubulação despejou 450 m³ de minério durante 45 minutos, segundo o Ministério Público. Abastecimento de água chegou a ser afetado.
27/03/2018 - g1.globo.com


Livros recomendados

Frances Cairncross; Green, Inc: A Guide to Business and the Environment; Island Press, 1995. - books.google.com.br

Frances Cairncross, editora de meio ambiente do The Economist, apresenta como os anos 90 viram uma quantidade extraordinária de atividades na frente ambiental: o surgimento do aquecimento global como uma séria preocupação, a conclusão bem-sucedida de vários tratados ambientais, conflitos sobre comércio e meio ambiente, a descoberta da severidade da poluição na antiga União Soviética. império, a ecologização do Banco Mundial e o reconhecimento generalizado de que a indústria pode ganhar dinheiro através da adoção de políticas ambientais responsáveis. Na Green, Inc., a premiada jornalista ambiental Frances Cairncross investiga esses e outros tópicos, concentrando sua atenção nos aspectos de questões ambientais que têm implicações econômicas. Ela examina a relação entre o meio ambiente e a competitividade industrial, o comércio internacional, a ajuda aos países em desenvolvimento, a eficiência energética, a gestão de resíduos e o crescimento econômico. Como editora ambiental do The Economist, Cairncross passou os últimos cinco anos explicando ideias econômicas complicadas de maneiras compreensíveis e interessantes. Em Green, Inc., ela continua esse esforço, enquanto explora as implicações de três temas relacionados: que o crescimento econômico pode ser combinado com a proteção ambiental; que é necessário um senso de proporção na avaliação e reação às ameaças ambientais; e essa indústria tem um papel vital na busca de soluções para problemas ambientais.

Frances Cairncross; Meio Ambiente Custos e Benefícios

( CAIRNCROSS, Frances. Meio ambiente: custos e benefícios. São Paulo: Nobel, 1992 )



Frances Cairncross; Costing the Earth: The Challenge for Governments, the Opportunities for Business; Harvard Business School Press, 1993. - books.google.com.br

Mostra como políticas econômicas de visão clara podem ser aproveitadas para ajudar o meio ambiente e como as empresas de recursos podem transformar a preocupação do público por um ambiente mais limpo para sua vantagem corporativa. Ela argumenta que políticas ambientais bem-sucedidas serão as que estimulam o poder inventivo da indústria. Trabalhando juntos, a indústria e o governo podem formar uma aliança formidável: uma que promove o crescimento econômico e preserva o meio ambiente. Costing the Earth identifica uma oportunidade extraordinária para empreendimento e invenção, tornando-a leitura essencial para todos os gerentes preocupados em atender às demandas crescentes de uma economia "verde".


Maria de Assunção Ribeiro Franco; Planejamento ambiental para a cidade sustentável; Annablume Editora, 2000. - books.google.com.br


Artigo recomendado

Frederico A. Turolla, Marcelo Hercowitz; Economia e ecologia; GV executivo, 24 • VOL.6 • Nº3 • MAIO/JUN. 2007. - bibliotecadigital.fgv.br

terça-feira, 20 de março de 2018

Pequenas notas ambientais - 5


1

Tristes notas Barcarenas

Complementos à série:
Tristes notas Marianas - 1 - medioesustentabilidade.blogspot.com.br
Tristes notas Marianas - 2 - medioesustentabilidade.blogspot.com.br


conexaoplaneta.com.br


Terceiro vazamento da mineradora Hydro Alunorte é registado no Pará

Imagens mostram mais um despejo irregular de resíduos em Barcarena.
Vídeo foi obtido com exclusividade pelo Jornal Nacional.


Presidente da Hydro admite descarte irregular de água não tratada no rio Pará

Svein Richard Brandtzæg pediu desculpas pela ação e disse que tal conduta não faz parte dos procedimentos da empresa.

Grupo norueguês admite que Hydro Alunorte contaminou rio Pará

A empresa recebeu duas multas que totalizam R$ 20 milhões por ter contaminado toda água do município de Barcarena com resíduos de bauxita


2

Uma nota sobre neomalthusianismo
A população cresce. Digamos que a população pare de crescer. O consumo per capita cresce. Digamos que a “desmaterialização” dos bens continue a aumentar. Ainda sim, os recursos da Terra são finitos, e entre os renováveis e afetáveis por nossa emissão de resíduos, a situação é mais estrita.

Claro que a produção agrícola pode aumentar, assim como a pecuária. Mas a área do planeta não aumentará. Claro que podemos verticalizar a produção agrícola, mas ao final, a radiação solar que chega a Terra é limitada por um disco da projeção da terra que está lá no Sol. Deste disco vem toda nossa energia solar possível por enquanto. Podemos no futuro aumentar a captação de luz solar, mas ainda sim, uma área máxima possível na Terra, e mesmo sua água, e certos equilíbrios atmosféricos sempre serão limites.

Apenas retardamos a “tragédia malthusiana”, na verdade, como toda curva S de uma população de bactérias numa simples placa de petri, ela nos assombrará.

Estamos num planeta que é uma prisão, e por muito tempo ainda não poderemos daqui sair.

Há uma observação no livro “Macroeconomia”, de Dornbusch, Fischer e Startz de que “isso trata-se mais de Física que Economia”, mas os autores referem-se claramente a período relativamente curtos de tempo.

Rudiger Dornbusch, Stanley Fischer, Richard Startz; Macroeconomia; Editora McGraw-Hill.

Jeffrey Sachs; A volta do espectro de Malthus; SciAm - www2.uol.com.br


3

Citações

"Se continuarmos dando mais importância ao capitalismo ao invés de preservar nossos recursos naturais, vamos ser devastados junto com nossas ambições."

Adaptação menos “melancia”:
"Na continuidade de darmos mais importância ao lucro imediato ao invés da preservação dos recursos naturais, corremos o risco de sermos arrastados para o colapso econômico pelas nossas próprias ambições."
“Olhar para a terra, rio e floresta como mercadoria é grande engano que vai nos enterrar a todos”, Ailton Krenak - pt.wikipedia.org - Ailton Krenak

quinta-feira, 15 de março de 2018

Tristes notas Marianas - 2


Abrindo com novos problemas

Quando se pensa que a marcha para evitar-se um quadro generalizado de danos ambientais está ocorrendo, aparecem novos tropeços:

Ministério Público descobre novo canal de despejo irregular de rejeitos da Hydro em Barcarena

Ministério Público Federal notificou a empresa para que faça imediatamente, no prazo de até 48 horas, os procedimentos necessários para vedação do canal. Esta é a segunda vez que a refinaria é notificada pelo mesmo problema. Na primeira, negou a existência de vazamento.

Mais detalhes sobre o mesmo problema



Murilo Roncolato; O que pesa contra a Hydro Alunorte, acusada de crime ambiental no Pará;  27 Fev 2018

Contaminação com resíduos de bauxita afeta comunidades locais; empresa do governo norueguês pode ter atividades suspensas - www.nexojornal.com.br

Destacamos:

“Alumina e rejeitos

A refinaria Hydro Alunorte produz óxido de alumínio, também chamado de alumina, a matéria-prima usada na produção de metal de alumínio. A empresa recebe bauxita triturada nas jazidas por meio de dutos que viajam por mais de 200 quilômetros pelo Pará, até a cidade de Barcarena. O material é então refinado até se tornar um pó branco.

Nesse processo, são usados cal, soda cáustica e água. Retirada a alumina, o composto restante, chamado de “lama vermelha” e formado de bauxita, alumínio, chumbo, titânio, soda cáustica e outros elementos, é despejado em enormes tanques chamados de Depósito de Resíduos Sólidos (DRS). Na sequência, esse lixo tóxico é bombeado para a estação de tratamento de efluentes e, então, despejado no Rio Pará.”

“No dia seguinte (22), o IEC publicou o laudo resultante das vistorias realizadas dias antes, na qual técnicos afirmaram terem constatado vazamento das bacias de rejeitos – fato registrado em fotos –, além da existência de um duto clandestino que despejava efluentes contaminados para fora da área industrial. Por fim, os agentes divulgaram o resultado das amostras coletadas na região e nas comunidades, as quais apresentavam níveis excessivos de sódio, nitrato, alumínio e chumbo.”

Voltando aos problemas anteriores

Os problemas da contaminação de manganês em águas de sistemas de abastecimento de água para consumo:

Lama que vazou de barragens pode provocar problemas ósseos, intestinais e agravar distúrbios cardíacos

Enzo Menezes - www.viomundo.com.br

Lama contaminada tem concentração de metais até 1.300.000%  acima do normal

Destacamos:

“Amostras da enxurrada de lama que foram coletadas cerca de 300 km depois do distrito de Bento Rodrigues apontam concentrações absurdas de metais como ferro, manganês e alumínio.”

“A água coletada pelo SAAE (Serviço de Água e Esgoto) de Valadares aponta um índice de ferro 1.366.666% acima do tolerável para tratamento – um milhão e trezentos mil por cento além do recomendado, segundo relatório enviado à reportagem do R7. Os níveis de manganês, metal tóxico, superam o tolerável em 118.000%, enquanto o alumínio estava presente com concentração 645.000% maior do que o possível para tratamento e distribuição aos moradores. As alterações foram sentidas a partir de 8h, enquanto o pico de lama tóxica ocorreu às 14h no rio Doce.”

“Servidores da prefeitura esclarecem que não têm condições técnicas de verificar a ocorrência de materiais pesados (como arsênio, antimônio e chumbo, normalmente presentes em rejeitos que contêm ferro), e por isso aguardam análises da Copasa e de dois laboratórios para detalhar a situação.”

“A quantidade de manganês presente na água em quantidade adequada para tratamento é – 0,1 mg, mas os técnicos encontraram 29,3 mg pela manhã e 118 mg (1.180 vezes acima) durante a cheia da tarde. O alumínio aparece com 0,1 mg, mas estava disponível em 13,7 mg e 64,5 mg, respectivamente (6.450 vezes superior). A concentração tolerada de ferro é 0,03 mg, mas as amostras continham 133 mg e 410 mg. O nível de turbidez regular é 1000 uT, mas chegou a 80 mil uT na passagem da enchente.”

“— É um metal tóxico que, por ser mais pesado, devia estar depositado no fundo. Pode provocar alterações nas contrações musculares, problemas ósseos, intestinais e agravar distúrbios cardíacos. O alumínio não traz riscos para a população em geral, mas nestas quantidades pode trazer riscos para diabéticos, pessoas com tumores ou problemas renais crônicos. O organismo mais ácido absorve mais alumínio. Já o ferro não é considerado tóxico.

— Dentro de 48 horas já deveriam ter divulgado, as equipes de socorro e sobreviventes tiveram contato [com essa água]. Metais pesados como chumbo, arsênio e antimônio costumam acompanhar o ferro, mais raramente o níquel. - Anthony Wong, chefe do Centro de Assistência Toxicológica do Hospital das Clínicas da USP”


Imagem da apresentação:
Mariana desastre - Fernanda Lopes, Professora/Geógrafa at Professora/Geógrafa - www.slideshare.net

A introdução deste artigo deve ser lida:

O manganês (Mn) é um contaminante incômodo para a indústria de tratamento de água(Stauffer, 1986), que tende a permanecer na forma reduzida, particularmente sob condições de hipóxia anóxica ou mesmo hipóxica (oxigênio dissolvido (DO) <16% de saturação; Baden et al., 1995). É especialmente prevalente no limite oxic/anóxico ou redox (Kristiansen et al., 2002; Granina et al., 2004; Koretsky et al., 2006). O manganês complica a cinética redox e é muito difícil de oxidar quimicamente em ambientes de pH típico das águas naturais (pH 6-8) (Baden et al., 1995; Kristiansen et al., 2002; Roitz et al., 2002), muitas vezes persistindo em formas solúveis, apesar da termodinâmica desfavorável (Balzer, 1982; Dortch e Hamlin-Tillman, 1995). Em oxidação de Mn microbial, muitas vezes, as comunidades (bacterianas) são necessárias para a oxidação (Crittenden et al., 2005; Gabelich et al., 2006). O ferro, em contraste, é facilmente oxidado quimicamente na presença de oxigênio no limite oxico/anóxico (Schaller et al., 1997), o que facilita o controle.

Paul A. Gantzer, Lee D. Bryant , John C. Little; Controlling soluble iron and manganese in a water-supply reservoir using hypolimnetic oxygenation; Water Research 43 (2009) 1285–1294 - www.mobleyengineering.com


Manganese in Drinking Water - DPH - Department of Public Health - Drinking Water Section - Connecticut State - portal.ct.gov

Nos nossos arquivos: [ Manganese in Drinking Water ]

Drinking Water Health Advisory for Manganese - EPA - www.epa.gov


Manganese in Drinking-water - Background document for development of WHO Guidelines for Drinking-water Quality - www.who.int

Nos nossos arquivos: [ Manganese in Drinking-water - WHO ]

Manganese in Drinking Water; Document for Public Consultation; Prepared by the Federal-Provincial-Territorial; Committee on Drinking Water; Consultation period ends; August 5, 2016 - healthycanadians.gc.ca

quarta-feira, 7 de março de 2018

Tristes notas Marianas - 1


Quem foi ao Pará, parou. Tomou açaí e chorou.
Com os recentes acontecimentos em Barcarena, no Pará, de mais uma contaminação de massas de água por problemas em bacias/barragens de contenção de resíduos de mineração, vejo-me na obrigação de colocar neste blog algumas anotações que já vinha fazendo desde o rompimento da Barragem do Fundão, em Mariana.

Sobre o recente incidente no Pará:
Vazamento de rejeitos da Hydro Alunorte causa danos socioambientais em Barcarena

Moradores de Barcarena denunciam poluição causada por vazamento na Hydro
www.diarioonline.com.br

Ministro do Meio Ambiente pede embargo de atividades da Hydro em Barcarena

A população da localidade não pode consumir a água que está contaminada por alumínio e mercúrio, dentre outros metais pesados

Mineradora norueguesa tinha 'duto clandestino' para lançar rejeitos em nascentes amazônicas

A empresa produtora de alumínio que é controlada pelo governo da Noruega teria usado uma "tubulação clandestina de lançamento de efluentes não tratados" em um conjunto de nascentes do rio Muripi.

Alepa apresenta relatório sobre o vazamento de rejeitos de minério em Barcarena
'É preciso decretar estado de emergência', defende o presidente da Comissão da Alepa. Laudo constatou contaminação de comunidades por rejeitos de chumbo, soda cáustica e bauxita.

Pesquisa mostra chumbo e alumínio acima do normal em Barcarena

Região, marcada por recorrentes crimes ambientais, enfrenta nova tragédia com a contaminação por rejeitos de minério da empresa Hydro.

O que me motivou desde o início a este rápido e que espero seja útil levantamento foi, por meio de pesquisa simples, ter encontrado que existia a tragédia anunciada, pelo menos na contaminação das águas:

José Maurício Machado Pires; Jorge Carvalho de Lena; Carlos Cardoso Machado; Reginaldo Sérgio Pereira; Potencial poluidor de resíduo sólido da Samarco Mineração: estudo de caso da barragem de Germano; Rev. Árvore vol.27 no.3 Viçosa May/June 2003.

Notas da imprensa mostram muito das responsabilidades claras:

Samarco admite falha na barragem que causou tragédia em Mariana

Estudo contratado pela empresa aponta problemas de drenagem desde 2009 e indica que, apesar de tentativas de reparos, parte da ampliação da barragem foi feita sobre base instável




Como os rejeitos foram da barragem para o mar - papodehomem.com.br



Um problema que é basicamente de engenharia foi a alteração do desenho de barragem, modificando sua reistência:

Mudança na barragem pode ter contribuído para desastre, diz MP

Imagens de satélite mostram alteração no projeto da barragem de Fundão. Samarco declarou que não houve mudança no eixo original do projeto.



Camilla Veras Mota; Após dois anos, impacto ambiental do desastre em Mariana ainda não é totalmente conhecido - www.bbc.com

Estêvão Bertoni, Rodolfo Almeida e Ariel Tonglet; Mariana: a gênese da tragédia; 04 de novembro de 2016 - www.nexojornal.com.br

O problema, já se sabe, é bem maior que um caso isolado e já possui histórico:

Barragens de rejeito já causaram diversas tragédias em Minas Gerais; relembre

Primeiro registro deste tipo de acidente foi em 1986, quando sete pessoas morreram em Itabirito. - www.em.com.br
Minas tem 50 barragens sem garantia de estabilidade, diz governo: veja a lista
Minas tem mais de 400 barragens de rejeitos e quase 10% delas apresentam riscos, indica o Ministério Público. Ameaça recai sobre comunidades e fontes de abastecimento de água


MP de Minas chama atenção para risco de rompimento de barragens e lança campanha
Próximo de completar dois anos do desastre de Mariana, devido ao estouro de uma barragem de rejeito de minério, promotora diz que pelo menos outros 37 reservatórios oferecem risco

A tragédia já era anunciada:
ESTÊVÃO BERTONI; Barragem da Samarco já tinha defeitos em 2009, diz relatório

O relacionado fenômeno chamado na engenharia de barragens “piping”:

Piping in Embankment Dams - research.engineering.ucdavis.edu

Tradução com acréscimos:
“Os solos podem ser eroídos pela água corrente. A erosão pode ser subterrânea se houver cavidades, rachaduras na rocha ou outras aberturas suficientemente grandes para que as partículas do solo possam ser lavadas nelsa e transportadas, sendo afastadas pela infiltração de água. Então, este tipo de erosão subterrânea progride e cria um caminho aberto para o fluxo, o que é chamado de "piping" (com certa liberdade, “formação de tubos”) A prevenção do fenômeno de “piping” é uma consideração primordial no projeto de barragens seguras.”
ANA vê alto risco em 24 barragens do País; a de Minas era bem avaliada

Barragem do Fundão era considerada de baixo risco, com probabilidade pequena de acidente; especialistas afirmam que as estruturas são planejadas para evitar catástrofes ambientais, mas reforço não quer dizer que sejam fiscalizadas
      
Rafael Italiani e Rene Moreira - brasil.estadao.com.br

Destacamos:

"O outro motivo, segundo o especialista, é a erosão interna. De acordo com uma comissão internacional que estuda e monitora grandes barragens, a International Commission on Large Dams (Icold), essa erosão causa um efeito chamado “piping”, que remete a tubos. Isso acontece quando os resíduos da mineração não têm a vazão adequada, causando furos na estrutura da barragem, até o deslizamento da terra."

Trabalho teórico no campo:

Pedro Guilherme De Lara; Metodologia probabilística de previsão de brecha de ruptura de barragens - www.researchgate.net



Bom artigo na trivial Wikipedia:

Rompimento de barragem em Mariana - pt.wikipedia.org

Erosão interna e piping na Wikipedia:

Internal erosion - en.wikipedia.org


Sugestões de documentações mais completas sobre o incidente:

Ana Paula Pereira; GESTÃO DE RESÍDUOS: O CASO DAS BARRAGENS DA SAMARCO - www.inovarse.org


Bruno Milanez Cristiana Losekann organizadores; Desastre no Vale do Rio Doce - Antecedentes, impactos e ações sobre a destruição -  www.global.org.br

Nos nossos arquivos: [ Desastre no Vale do Rio Doce ]

RELATÓRIO DE ANÁLISE DE ACIDENTE ROMPIMENTO DA BARRAGEM DE REJEITOS FUNDÃO EM MARIANA - MG - ABRIL 2016 - ftp.medicina.ufmg.br