quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

Erosão genética - 1


Quando o panda tiver pequena população, seu destino como espécie será o mesmo que do clássico pombo-passageiro. Isso vale e valeu para todas as espécies da história da vida (com reprodução sexuada) e inclusive nos levou à quase extinção na catástrofe de Toba, 75 a 76 mil anos atrás. Que as lições sejam aprendidas.


“Um estudo com o peixe tucunaré, muito consumido por populações do Norte do Brasil, mostra que a ação humana pode estar provocando o empobrecimento genético de suas populações. O processo, conhecido como erosão genética, é o mesmo que levou praticamente à extinção o mico-leão-dourado.


A variabilidade genética é uma das mais importantes garantias de sobrevivência das espécies, pois permite a adaptação às mudanças no ambiente. [...]


[...]


A pesquisadora também lembra que a divisão de uma população única em diferentes populações que não trocam genes entre si é um processo natural e de grande importância para o surgimento de novas espécies. O alerta agora é quanto à velocidade com que esse processo tem ocorrido. “A ação humana acelera o processo de separação das populações sem que haja tempo para que elas se adaptem ao novo ambiente.” “


Mariana Ferraz. A AMEAÇA DA EROSÃO GENÉTICA. Ciência Hoje/RJ - Matéria publicada em 01.05.2009 - www.cienciahoje.org.br



Traduzido de: en.wikipedia.org - Genetic erosion


A erosão genética (também conhecida como depleção genética) é um processo em que o pool genético limitado de uma espécie ameaçada diminui ainda mais quando os indivíduos reprodutivos morrem antes de se reproduzirem com outros em sua pequena população ameaçada. O termo às vezes é usado em um sentido restrito, como ao descrever a perda de alelos ou genes específicos, bem como é usado de forma mais ampla, como quando se refere à perda de um fenótipo ou de uma espécie inteira.


A erosão genética ocorre porque cada organismo individual tem muitos genes únicos que se perdem quando morre sem ter a chance de se reproduzir. A baixa diversidade genética em uma população de plantas e animais selvagens leva a uma diminuição ainda maior do pool de genes - a endogamia e o enfraquecimento do sistema imunológico podem então "acelerar" essa espécie em direção à extinção.


Por definição, as espécies ameaçadas sofrem vários graus de erosão genética. Muitas espécies se beneficiam de um programa de reprodução assistida por humanos para manter sua população viável, evitando assim a extinção em longos períodos de tempo. Populações pequenas são mais suscetíveis à erosão genética do que populações maiores.


A erosão genética é agravada e acelerada pela perda de habitat e fragmentação de habitat – muitas espécies ameaçadas de extinção estão ameaçadas pela perda de habitat e (fragmentação) de habitat. Hábitats fragmentados criam barreiras no fluxo gênico entre as populações.


O pool genético de uma espécie ou população é o conjunto completo de alelos únicos que seriam encontrados ao se inspecionar o material genético de cada membro vivo dessa espécie ou população. Um grande pool de genes indica extensa diversidade genética, que está associada a populações robustas que podem sobreviver a episódios de seleção intensa. Enquanto isso, a baixa diversidade genética (ver endocruzamento  e gargalos populacionais) pode causar redução da aptidão biológica e aumentar a chance de extinção dessa espécie ou população.


terça-feira, 26 de janeiro de 2021

Thanatia

 

Conceito


Thanatia, do grego Thanatos, morte, é proposta como base para avaliação da exergia de concentração dos recursos minerais. Thanatia representa uma terra hipotética, onde todos os materiais concentrados teriam sido extraídos e dispersos por toda a crosta e todos os combustíveis fósseis teriam sido queimados.


Traduzido e editado a partir de: www.exergoecology.com  





Um dos ambientes de referência (AR) mais utilizados é o proposto por Szargut (1989) com suas atualizações posteriores. Tais ARs buscam quantificar a reatividade química relativa de um determinado sistema e constituem uma base para o cálculo das exergias químicas. No entanto, a reatividade é apenas um aspecto de distinção, o outro é a escassez. Considere, por exemplo, o minério de níquel pentlandita (Fe, Ni)9S8. Para o níquel, a substância de referência de Szargut é o íon Ni+2. Portanto, a exergia química da pentlandita indica sua reatividade com relação ao íon níquel. Mas esta informação deixa de lado o teor de minério de pentlandita no que diz respeito à concentração crustal, que é a chave para decidir se o minério é explorável ou não. Portanto, precisamos dar um passo adiante na análise de exergia do esgotamento de minerais. Precisamos fazer um inventário dos minerais que existem naturalmente nas camadas externas da Terra e propor uma “linha de base” realista como referência, onde a mensagem termodinâmica e a escassez prática convergiriam. Se o fator de concentração é muito importante para avaliar os recursos abióticos, tanto a composição quanto a concentração dos minerais na forma de rochas no ambiente de referência são necessárias. Esta hipotética Terra deveria representar um planeta degradado onde todos os recursos foram extraídos e dispersos, e todos os combustíveis fósseis foram queimados. Valero et al. 2011a, Valero e Valero 2011b cunharam essa “Terra Thanatia” (do grego Thanatos - morte).


O modelo da Terra Crepuscular


Thanatia é composta por uma atmosfera degradada, hidrosfera e crosta continental, que são representadas através do chamado modelo de crosta crepuscular. A atmosfera crepuscular foi criada usando um modelo simples do ciclo do carbono, assumindo que todos os estoques de combustíveis fósseis são queimados. Consequentemente, a atmosfera crepuscular tem um teor de dióxido de carbono de 683 ppm, uma temperatura de superfície média de 17 ° C (um pico de aquecimento induzido por dióxido de carbono de 3,7 ° C acima das temperaturas pré-industriais), uma pressão de 1,021 bar e uma composição, em uma base de volume de 78,8% N2, 20,92% O2, 0,93% Ar e 0,0015% de gases residuais. Além disso, considerando que os oceanos representam 97,5% de toda a hidrosfera, a hidrosfera crepuscular foi assumida como tendo a atual composição química da água do mar a uma temperatura média de superfície de 17˚C. A crosta foi modelada levando-se em consideração apenas sua parte superior por meio de um procedimento de mínimos quadrados garantindo coerência entre a composição química elementar conhecida da crosta (Rudnick e Gao, 2004) e as informações fornecidas pelo geoquímico russo Grigor'ev (2003) sobre a composição mineralógica crustal. A crosta crepuscular resultante inclui uma lista dos 294 minerais mais abundantes atualmente encontrados na Terra, com sua composição média e concentração crepuscular (ou crustal). Na verdade, pode ser assumido como um primeiro modelo para a composição mineralógica média da crosta terrestre (ver a composição de Thanatia).


A partir dessa referência proposta, podemos dizer que qualquer substância na Terra diferente da composição e concentração de Thanatia é um recurso de exergia que pode ser útil do ponto de vista termodinâmico. Dessa forma, um depósito mineral de Ni-minério pentlandita por exemplo, é um recurso exergético, pois seu teor é maior do que na terra degradada (Domínguez, Valero e Valero 2013).


Observe que Thanatia constitui o ponto de partida para avaliar a perda de dotação mineral na Terra devido à dispersão mineral, mas não representa o fim da vida em nosso planeta. Significa apenas que os recursos abióticos não estão mais disponíveis de forma concentrada. Além disso, Thanatia não substitui ambientes de referência convencionais. Os últimos ainda são usados para calcular exergias químicas.


Referências


Alicia Valero D, Antonio Valero, and Adriana Domínguez (2013) Exergy Replacement Cost of Mineral Resources. Journal of Environmental Accounting and Management, 1(1):147-158. - http://www.exergoecology.com/resources/exergoecology-bibliography/Valero2013


N.A. Grigor'ev. Average concentrations of chemical elements in rocks of the upper continental crust. July 2003. Geochemistry International 41(7):711-718 - www.researchgate.net 


Rudnick, R.L. and Gao, S. (2004). Composition of the Continental Crust. In: Treatise on Geochemistry. Holland, H.D. and Turekian, K.K. (Editors), Elsevier, Amsterdam. 3: 1-64. - www.researchgate.net  


Jan Szargut. Chemical exergies of the elements. Applied Energy, 1989, vol. 32, issue 4, 269-286 - www.sciencedirect.com  


Valero, A., A. Agudelo, and A. Valero. 2011a. The crepuscular planet. A model for the exhausted atmosphere and hydrosphere. Energy 36(6): 3745–3753 -  www.researchgate.net  


Valero, A., A. Valero, and J. B. G´omez. 2011b. The crepuscular planet.A model for the exhausted continental crust. Energy 36(1): 694–707. - www.sciencedirect.com  


Valero, A and Valero, A. (2012). Exergy of comminution and the Thanatia Earth's model. Energy, Volume 44, Issue 1, August 2012, Pages 1085-1093. - www.sciencedirect.com   


Valero, A. Thanatia: The Destiny of the Earth’s Mineral Resources. a Thermodynamic Cradle-To-Cradle Assessment. World Scientific Press, Singapore (2014). pp 53-85. - www.worldscientific.com   



Literatura extra

Guiomar Calvo, Alicia Valero, and Antonio Valero. (2017) Thermodynamic Approach to Evaluate the Criticality of Raw Materials and Its Application through a Material Flow Analysis in Europe. Journal of Industrial Ecology. Volume 22, Number 4. DOI: 10.1111/jiec.12624 - 

www.onlinelibrary.wiley.com 


quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

Microplásticos


Primeiros passos de uma longa tradução importante: 

Tradução de: en.wikipedia.org - Microplastics  


Microplásticos são pedaços muito pequenos de plástico que poluem o meio ambiente. [1] Microplásticos não são um tipo específico de plástico, mas sim qualquer tipo de fragmento de plástico que tenha menos de 5 mm de comprimento de acordo com a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos EUA (NOAA, National Oceanic and Atmospheric Administration) [2] [3] e a Agência Europeia dos Produtos Químicos (European Chemicals Agency). [4] Eles entram em ecossistemas naturais de uma variedade de fontes, incluindo cosméticos, roupas e processos industriais.


Existem atualmente duas classificações de microplásticos. Microplásticos primários são quaisquer fragmentos ou partículas de plástico que já tenham 5,0 mm de tamanho ou menos antes de entrar no ambiente. Isso inclui microfibras de roupas, microesferas e pelotas de plástico (também conhecidas como nurdles). [5] [6] [7] Microplásticos secundários são microplásticos criados a partir da degradação de produtos plásticos maiores, uma vez que entram no ambiente por meio de processos naturais de intemperismo. Essas fontes de microplásticos secundários incluem garrafas de água e refrigerante, redes de pesca e sacolas plásticas. [7] [8] Ambos os tipos são reconhecidos por persistirem no meio ambiente em níveis elevados, particularmente em ecossistemas aquáticos e marinhos. [9] O termo macroplástico é usado para diferenciar resíduos plásticos maiores, como garrafas plásticas.


Além disso, os plásticos se degradam lentamente, frequentemente ao longo de centenas, senão milhares de anos. [Chamas et al] [Urbanek et al] Isso aumenta a probabilidade de microplásticos serem ingeridos, incorporados e acumulados nos corpos e tecidos de muitos organismos. Os produtos químicos tóxicos que vêm tanto do oceano quanto do escoamento também podem biomagnificar a cadeia alimentar. [10] [11] O ciclo completo e o movimento dos microplásticos no ambiente ainda não são conhecidos, mas pesquisas estão em andamento para investigar esse problema.


Referências


Chamas, Ali et al. Degradation Rates of Plastics in the Environment. ACS Sustainable Chem. Eng. 2020, 8, 9, 3494–3511. - pubs.acs.org 


Urbanek AK, Rymowicz W, Mirończuk AM. Degradation of plastics and plastic-degrading bacteria in cold marine habitats. Appl Microbiol Biotechnol. 2018;102(18):7669-7678. doi:10.1007/s00253-018-9195-y - www.ncbi.nlm.nih.gov 


1.Blair Crawford, Christopher; Quinn, Brian (2016). Microplastic Pollutants (1st ed.). Elsevier Science. ISBN 9780128094068.


2.Arthur, Courtney; Baker, Joel; Bamford, Holly (January 2009). "Proceedings of the International Research Workshop on the Occurrence, Effects and Fate of Microplastic Marine Debris" (PDF). NOAA Technical Memorandum.


3.Collignon, Amandine; Hecq, Jean-Henri; Galgani, François; Collard, France; Goffart, Anne (2014). "Annual variation in neustonic micro- and meso-plastic particles and zooplankton in the Bay of Calvi (Mediterranean–Corsica)" (PDF). Marine Pollution Bulletin. 79 (1–2): 293–298. doi:10.1016/j.marpolbul.2013.11.023. PMID 24360334.


4.European Chemicals Agency. "Restricting the use of intentionally added microplastic particles to consumer or professional use products of any kind". ECHA. European Commission. Retrieved 8 September 2020.


5. Cole, Matthew; Lindeque, Pennie; Fileman, Elaine; Halsband, Claudia; Goodhead, Rhys; Moger, Julian; Galloway, Tamara S. (2013-06-06). "Microplastic Ingestion by Zooplankton" (PDF). Environmental Science & Technology. 47 (12): 6646–6655. Bibcode:2013EnST...47.6646C. doi:10.1021/es400663f. hdl:10871/19651. PMID 23692270.


6."Where Does Marine Litter Come From?". Marine Litter Facts. British Plastics Federation. Retrieved 2018-09-25.


7.Boucher, Julien; Friot, Damien (2017). Primary microplastics in the oceans: A global evaluation of sources. doi:10.2305/IUCN.CH.2017.01.en. ISBN 978-2-8317-1827-9.


8.Conkle, Jeremy L.; Báez Del Valle, Christian D.; Turner, Jeffrey W. (2018). "Are We Underestimating Microplastic Contamination in Aquatic Environments?". Environmental Management. 61 (1): 1–8. Bibcode:2018EnMan..61....1C. doi:10.1007/s00267-017-0947-8. PMID 29043380. S2CID 40970384.


9."Development solutions: Building a better ocean". European Investment Bank. Retrieved 2020-08-19.


10.Grossman, Elizabeth (2015-01-15). "How Plastics from Your Clothes Can End up in Your Fish". Time.


11."How Long Does it Take Trash to Decompose". 4Ocean. 20 January 2017. Archived from the original on 25 September 2018. Retrieved 25 September 2018.

 


quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Anotações sobre um histórico da poluição e contaminações em áreas urbanas

 Casos destacados


O “Grande Fedor” (Great Stink)


“Grande Fedor, O: durante o verão de 1858, grande parte de Londres, principalmente o centro, sofreu com o terrível odor que exalava do Tâmisa. O sistema de esgoto da cidade começava a ser adaptado para suportar vasos sanitários com descargas, mas o excesso de dejetos humanos sobrecarregou as fossas e estes passaram a ser despejados no rio por meio das galerias pluviais.”

Do Glossário de “A máquina diferencial”, de William Gibson e Bruce Sterling.


“Podemos colonizar os confins mais remotos da terra; podemos conquistar a Índia; podemos pagar os juros da mais enorme dívida já contraída; podemos difundir nosso nome, e nossa fama e nossa riqueza frutificante para todas as partes do mundo; mas não podemos limpar o Rio Tâmisa.” - The Illustrated London News, Junho de 1858.


https://pt.wikipedia.org/wiki/Grande_Fedor 


O surto de cólera da Broad Street


O surto de cólera da Broad Street (ou surto da Golden Square) foi um surto grave de cólera que ocorreu em 1854 perto da Broad Street (agora Broadwick Street) no distrito de Soho na cidade de Westminster, Londres, Inglaterra, e ocorreu durante o período de 1846-1860, em meio a uma pandemia de cólera acontecendo em todo o mundo. Este surto, que matou 616 pessoas, é mais conhecido pelo estudo do médico John Snow sobre suas causas e sua hipótese de que a água contaminada por germes era a fonte da cólera, em vez de partículas no ar (conhecidas como "miasma"). Esta descoberta influenciou a saúde pública e a construção de instalações sanitárias melhoradas a partir de meados do século XIX. Posteriormente, o termo "foco de infecção" passou a ser usado para designar locais, como a bomba da Broad Street, em que as condições são boas para a transmissão de uma infecção. O esforço de Snow para encontrar a causa da transmissão do cólera o levou a criar, sem saber, um experimento duplo-cego.


https://en.wikipedia.org/wiki/1854_Broad_Street_cholera_outbreak 


Alkali Act 1863 (Ato dos álcalis de 1863)


De acordo com o British Alkali Act 1863, um inspetor de álcalis e quatro subinspetores foram designados para conter a descarga no ar de gás ácido muriático (cloreto de hidrogênio, HCl) da produção de álcalis pelo processo Leblanc. [Nota]


Em 1874, de acordo com a Lei Alkali de 1874, o Inspetor tornou-se Inspetor Chefe. O primeiro Inspetor Chefe foi o Dr. Robert Angus Smith, ele era estatutariamente responsável pelos padrões estabelecidos e mantidos pela Inspetoria, e reportava-se diretamente ao Secretário Permanente de seu departamento. Durante os primeiros sessenta anos de sua existência, a Inspetoria preocupou-se exclusivamente com a indústria de produtos químicos pesados, mas a partir da década de 1920, suas responsabilidades foram ampliadas, culminando na Ordem Alkali de 1958. Isso colocou todas as principais indústrias pesadas que emitiam fumaça, areia, poeira e vapores sob a supervisão da Inspeção.


O Ato de 1863 foi estendido e expandido pelo menos três vezes: primeiro pelo Alkali, etc. Lei de Regulamentação de Obras de 1881, daí pelo Alkali, & c. Lei de Regulamentação de Obras de 1892 e, subsequentemente, pela Alkali, etc. Lei do Regulamento de Trabalho de 1906


Nota


Na primeira etapa do processo Leblanc, o cloreto de sódio é tratado com ácido sulfúrico no processo de Mannheim. Esta reação produz sulfato de sódio (chamado bolo de sal) e cloreto de hidrogênio:


2 NaCl + H2SO4 → Na2SO4 + 2 HCl


As plantas de processo da Leblanc eram bastante prejudiciais ao meio ambiente local. O processo de geração de torta de sal a partir do sal e do ácido sulfúrico liberava gás cloreto de hidrogênio e, como esse ácido era industrialmente inútil no início do século XIX, ele simplesmente era liberado para a atmosfera. Além disso, foi produzido um resíduo sólido insolúvel e fétido. Para cada 8 toneladas de carbonato de sódio, o processo produzia 5,5 toneladas de cloreto de hidrogênio e 7 toneladas de resíduos de sulfeto de cálcio. Esse resíduo sólido (conhecido como galligu), sem valor econômico, era empilhado em montes e espalhado em campos próximos às fábricas de refrigerante, onde intemperizava liberando sulfeto de hidrogênio, gás tóxico responsável pelo odor de ovos podres.


https://en.wikipedia.org/wiki/Leblanc_process 


https://pt.wikipedia.org/wiki/Processo_Leblanc 


Adiante pretendemos acrescentar:

https://en.wikipedia.org/wiki/Pollution#History 


quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

Nossa matriz energética - Acertos, erros e negligências


A partir de um debate no LinkedIn, com link aparentemente hoje morto, “UMA PEQUENA DISCUSSÃO SOBRE O SISTEMA ELÉTRICO BRASILEIRO”.



Ninguém discute que o Brasil tenha uma boa - em termos de mundo - matriz energética quanto a energias renováveis, até pelo peso do nosso setor hídrico, mas...

O Brasil tem pensado demasiadamente em termos de energia em "aumento de produção", e não em "melhoria do consumo", não pensa em eficiência.

Possui usinas hidroelétricas com razões absurdas entre tamanho do lago sobre potência produzida. (Paradoxalmente, após determinado período, cada vez mais hidroelétricas com operação ao “fio d’água”.[Nota “A fio d’água”])

Por qual motivo não se lança a modernizá-las, quando não, substituí-las?

Usa pouco e prejudicou recentemente a cogeração com biomassa. (Usina de cana falida não só não produz açúcar e álcool, mas também abandona a cogeração de energia elétrica, por simples inatividade.)

Finalizando, aqui, vale sempre a pergunta:

Qual a mais barata das energias?

A resposta é sempre a que não se gasta.


A renovação das hidroelétricas nos EUA

“Os EUA têm 2.400 represas hidrelétricas, muitas das quais possuem equipamentos geradores desatualizados que são, bem, gerações mais antigas. Essa é a má notícia. A boa notícia é que tudo isso contribui para o potencial de um programa massivo de atualização de eficiência energética que poderia impulsionar significativamente a geração de energia hidrelétrica dos EUA sem a despesa monumental e a interrupção ambiental envolvidas na construção de novas barragens. Na verdade, a primeira rodada de atualizações de energia hidrelétrica já está em andamento a um custo médio de menos de 4 centavos de dólar por kilowatt-hora.”

How the U.S. Is Getting More Hydropower without Building a Single New Dam - cleantechnica.com

[Como os EUA estão recebendo mais energia hidrelétrica sem construir uma nova barragem]

A China tem ampliado algumas de suas usinas mais antigas, algumas simplesmente (aqui merece o uso de aspas, dado o enorme esforço de engenharia) por aumentar a altura da barragem e então, aumentar os geradores dentro da “catedral” de geração. O mesmo tem projetado e feito a Austrália, até mesmo pela pressão de estar em uma das massas de terra menos providas de água do planeta.


Revisão rápida sobre cogeração

Para analista da FG/A, cogeração é a luz no fim do túnel para o setor sucroenergético - 20 set 2018 - www.novacana.com

Juliano Merlotto, sócio-fundador da consultoria, defende o peso da cogeração no caixa das usinas; produtores preferem investir nesta fonte a realizar operações de fusão e aquisição

Camila da Silva Lobo; A IMPORTÂNCIA DA COGERAÇÃO UTILIZANDO BAGAÇO DE CANA-DE-AÇÚCAR COMO FORMA DE DIVERSIFICAÇÃO DA MATRIZ ELÉTRICA; PROJETO SUBMETIDO AO CORPO DOCENTE DO DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA ELÉTRICA DA ESCOLA POLITÉCNICA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO - UFRJ, COMO PARTE DOS REQUISITOS NECESSÁRIOS PARA A OBTENÇÃO DO GRAU DE ENGENHEIRO ELETRICISTA - RIO DE JANEIRO, RJ - BRASIL AGOSTO DE 2013 - monografias.poli.ufrj.br

TIAGO FIORI CARDOSO; COGERAÇÃO DE ENERGIA ATRAVÉS DO BAGAÇO DE CANA-DE-AÇÚCAR: REVISÃO DE LITERATURA; Monografia apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Gestão de Produção Sucroenergética, para a obtenção do título de Mestre em Gestão de Produção Sucroenergética; UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS CENTRO DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM GESTÃO DE PRODUÇÃO SUCROENERGÉTICA; Sertãozinho 2011. www.etanol.ufscar.br


Notas

A fio d’água

O que são usinas hidrelétricas “a fio d’água” e quais os custos inerentes à sua construção? - Ivan Dutra Faria - 05/03/2012 -

“Usinas hidrelétricas “a fio d’água” são aquelas que não dispõem de reservatório de água, ou o têm em dimensões menores do que poderiam ter. Optar pela construção de uma usina “a fio d’água” significa optar por não manter um estoque de água que poderia ser acumulado em uma barragem. Esta foi uma opção adotada para a construção da Usina de Belo Monte e parece ser uma tendência a ser adotada em projetos futuros, em especial aqueles localizados na Amazônia, onde se concentra grande potencial hidrelétrico nacional. Aliás, as usinas Santo Antonio e Jirau, já em construção no rio Madeira, são exemplos dessa tendência.”


Recomendação de leitura

Oswaldo Sevá; ESTRANHAS CATEDRAIS. NOTAS SOBRE O CAPITAL HIDRELÉTRICO, A NATUREZA E A SOCIEDADE; Cienc. Cult. vol.60 no.3 São Paulo Sept. 2008 - cienciaecultura.bvs.br


Energia elétrica gerada por fontes eólicas evitou emissões de 20 milhões de toneladas de CO2 no Brasil, entre 2016 e 2017 - EDUARDO N MESSIAS - 12 DE OUTUBRO DE 2017 - sengeletrica.wordpress.com



Maior projeto de energia renovável híbrido é inaugurado na Jamaica - Mayra Rosa - 21 de julho de 2014 - ciclovivo.com.br

“O maior projeto de energia renovável híbrido em meio urbano acaba de ser inaugurado na Jamaica. O sistema foi instalado no telhado de um grande escritório local de advocacia e conta com uma tecnologia capaz de produzir eletricidade a partir do sol e dos ventos.”

China exige que carros elétricos representem 30% das compras -  Alexandra Ho - 14 jul 2014 - exame.abril.com.br

“A China está exigindo que os carros elétricos respondam por pelo menos 30 por cento do total de veículos comprados pelo governo até 2016. É a mais recente medida de combate à poluição e para redução do uso de energia após isentar os carros de um imposto sobre a compra.”


A Terra provê o suficiente para as necessidades de to­dos os homens, mas não para a voracidade de todos. - Mahatma Gandhi