sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

A Tirania do Medo: Entre o Alarmismo Ambiental e a Realidade dos Fatos

O debate contemporâneo sobre as mudanças climáticas parece ter abandonado o terreno da ciência para se instalar no domínio da escatologia. Como bem aponta Michael Shellenberger em Apocalypse Never, embora o aquecimento global antropogênico seja um fato comprovado, a narrativa de que estamos à beira de um fim de mundo inevitável é uma construção que serve mais ao poder do que à preservação do planeta.


Essa dinâmica de "crise fabricada" ou exagerada encontra um paralelo perfeito na obra do economista Thomas Sowell. O algoritmo de políticas públicas descrito por Sowell[Nota A] — que vai da fabricação de uma crise à proposta de soluções mágicas que expandem o Estado, culminando em resultados decepcionantes e na negação subsequente — parece ter encontrado no ambientalismo sua maior fronteira. Ao transformar o clima em uma ameaça existencial imediata, cria-se o cenário ideal para o "desejo de transcendência" de uma elite que busca status através da gestão do pânico alheio.

Shellenberger desmistifica essa visão ao apresentar dados que o alarmismo prefere ignorar: a queda drástica na mortalidade por desastres climáticos e a redução das emissões em países desenvolvidos. O autor revela a contradição central do movimento ambientalista moderno: oposição ferrenha às soluções mais eficazes, como a energia nuclear e o uso de gás natural, que poderiam acelerar a transição energética sem condenar as nações mais pobres à miséria energética.

O problema, portanto, não é a falta de soluções técnicas, mas a presença de uma "nova religião" que opera por meio da culpa e do medo. Quando o movimento ambientalista se recusa a aceitar dados positivos e soluções pragmáticas, ele deixa de ser uma luta pela Terra para se tornar uma busca por controle social e capital político.

A alternativa sã ao "fã-clube" do apocalipse não é a negação do problema, mas o realismo humanista. É entender que a humanidade tem a capacidade técnica de tratar a mudança climática como um desafio gerível, sem a necessidade de sacrificar a liberdade individual ou o desenvolvimento econômico no altar de um algoritmo progressista que, historicamente, entrega mais controle e menos resultados.

Extra: O Dividendo Geopolítico do Aquecimento

A narrativa apocalíptica costuma tratar o aumento da temperatura como um evento de soma zero (todos perdem). No entanto, para nações de latitudes elevadas como o Canadá e a Rússia, o fenômeno apresenta uma oportunidade histórica de expansão de soberania e riqueza.

1. A Fronteira Agrícola e o Solo de Permafrost

Atualmente, vastas extensões da Sibéria e do norte canadense são economicamente inviáveis devido ao solo congelado e às janelas de plantio extremamente curtas.

  • A Mudança: O degelo e o aumento da temperatura média expandem a "linha de cultivo" para o norte. Terras antes inúteis para a agricultura em larga escala podem passar a produzir trigo, cevada e colza.

  • Consequência: A Rússia, que já é um dos maiores exportadores de grãos do mundo, consolidaria um poder de "soft power" alimentar sem precedentes, especialmente enquanto regiões equatoriais enfrentam secas.

2. A Rota do Mar do Norte (NSR)

Além da terra, o aquecimento afeta o mar. O degelo do Ártico abre rotas comerciais que podem reduzir o tempo de transporte entre a Ásia e a Europa em até 40% em comparação ao Canal de Suez.

  • Vantagem Russa: A Rússia controla a maior parte dessa costa e já investe em uma frota de quebra-gelos nucleares para taxar e escoltar navios por essa nova "rodovia global".

  • Vantagem Canadense: A Passagem Noroeste poderia transformar o norte do Canadá em um hub logístico estratégico, alterando o fluxo do comércio mundial.

3. O Paradoxo do Investimento

Isso explica, em parte, por que o "algoritmo de Sowell" encontra resistências reais em certos países. Por que a Rússia ou o Canadá aceitariam propostas de "decrescimento" ou restrições severas se o cenário atual promete a eles um aumento de PIB e relevância geopolítica?

"O que é um desastre ambiental para uma ilha no Pacífico é um bônus de infraestrutura e agricultura para o Heartland eurasiano."


Notas


A.Thomas Sowell descreve o seguinte algoritmo de políticas públicas progressistas:


1) Fabricação de crise, geralmente pelo exagero.

2) Proposta de "solução" mágica que envolve, claro, mais Estado e mais dinheiro alheio.

3) Resultados decepcionantes.

4) Resposta evasiva, amnésia.

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